Tecnologia na saúde não elimina o risco jurídico: por que médicos ainda precisam de proteção


A medicina vive uma era de inovação sem precedentes. Robôs cirúrgicos realizam procedimentos complexos com precisão milimétrica, algoritmos de inteligência artificial auxiliam no diagnóstico de doenças e plataformas de telemedicina ampliam o acesso aos cuidados de saúde. Essas ferramentas representam avanços notáveis e reduzem margens de erro, mas não eliminam a responsabilidade civil do profissional. Quando algo sai errado, é o nome e o patrimônio do médico que estão em jogo.

De acordo com Gabriel Borduchi, especialista em Seguros de Responsabilidade Civil Profissional para médicos, da Borduchi Seguros, confiar apenas na tecnologia é um erro perigoso. “Muitos médicos acreditam que equipamentos de ponta garantem segurança total, mas isso é um engano. A responsabilidade continua sendo do profissional.” Por isso, a proteção jurídica deve evoluir junto com a tecnologia, garantindo que os avanços não tragam também novas vulnerabilidades.

A tecnologia avançou, mas a responsabilidade permanece

Nos últimos anos, hospitais e clínicas brasileiras investiram pesadamente em tecnologia. Sistemas de prescrição eletrônica reduzem erros de medicação, softwares de gestão organizam prontuários e equipamentos de imagem oferecem diagnósticos mais precisos. Cirurgias robóticas já são realidade em centros de referência de São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais. Essas inovações trazem benefícios reais para médicos e pacientes.

Mas a tecnologia opera sob supervisão humana. O profissional interpreta exames, valida diagnósticos sugeridos por algoritmos e decide sobre condutas. Quando um sistema falha ou sugere um caminho inadequado, a responsabilidade recai sobre quem tomou a decisão final. Tribunais brasileiros têm jurisprudência consolidada: o médico responde pelos resultados do tratamento, independentemente das ferramentas utilizadas.

Casos em que a tecnologia não protegeu o profissional

Um cirurgião em Belo Horizonte enfrentou processo judicial após complicação em procedimento realizado com auxílio robótico. Embora o equipamento tenha funcionado conforme especificações, a escolha da técnica foi questionada pela família do paciente. O processo durou três anos e custou ao médico despesas advocatícias significativas. A tecnologia de ponta não impediu a ação nem reduziu o desgaste emocional e financeiro.

Outro caso envolveu radiologista que utilizou inteligência artificial para análise de imagens. O sistema não detectou alteração sutil que evoluiu para complicação grave. O profissional foi responsabilizado por não ter identificado o problema manualmente. A defesa argumentou que confiou na ferramenta, mas o tribunal entendeu que a validação final cabia ao médico. Equipamento avançado não transfere responsabilidade.

Plataformas de telemedicina também geram exposição jurídica. Consultas à distância podem apresentar limitações na avaliação clínica, e falhas técnicas podem comprometer a comunicação. Quando o diagnóstico é contestado, o médico precisa demonstrar que agiu com toda a diligência possível, mesmo diante das restrições do ambiente virtual.

Por que a inovação aumenta a exposição ao risco

Novas tecnologias criam novas expectativas. Pacientes e familiares esperam resultados perfeitos quando sabem que o médico utiliza equipamentos modernos. Qualquer desvio do resultado esperado pode gerar frustração e questionamento jurídico. A percepção de que “com tecnologia de ponta, nada poderia dar errado” alimenta demandas judiciais.

Além disso, a sofisticação dos recursos exige domínio técnico constante. Profissionais precisam se atualizar continuamente para operar sistemas complexos e interpretar dados gerados por algoritmos. Falhas na curva de aprendizado ou uso inadequado de ferramentas podem ser interpretadas como negligência. A tecnologia não perdoa despreparo.

Erros comuns que expõem médicos a processos

Muitos profissionais cometem equívocos que ampliam sua vulnerabilidade jurídica. Confiar cegamente em diagnósticos automatizados sem validação clínica é um deles. Sistemas de inteligência artificial são auxiliares, não substitutos do raciocínio médico. Outro erro frequente é documentar de forma inadequada as decisões tomadas durante o uso de tecnologias. Prontuários incompletos dificultam a defesa em processos.

Terceirizar a responsabilidade para a ferramenta também é problemático. Afirmar que “o sistema indicou” não isenta o médico. A escolha de usar determinada tecnologia e a interpretação dos resultados permanecem sob sua responsabilidade. Por fim, negligenciar a comunicação clara com o paciente sobre riscos e limitações das tecnologias utilizadas gera expectativas irreais e aumenta o risco de litígio.


BOX DE DESTAQUE: Proteja-se em três passos práticos

  • Documente tudo: registre no prontuário as tecnologias utilizadas, os dados analisados e o raciocínio clínico que fundamentou cada decisão.
  • Valide sempre: não aceite resultados automatizados sem revisão crítica. O julgamento clínico continua sendo sua maior ferramenta.
  • Contrate proteção adequada: um seguro de responsabilidade civil profissional cobre defesas judiciais, indenizações e custos processuais, preservando seu patrimônio.

Como se proteger em um cenário de alta tecnologia

A primeira linha de defesa é a competência técnica. Investir em capacitação contínua e dominar as ferramentas que utiliza reduz margens de erro. Participar de treinamentos, congressos e programas de atualização mantém o profissional alinhado às melhores práticas. Conhecimento sólido é a base para decisões seguras.

Documentação rigorosa é igualmente essencial. Cada decisão clínica deve ser registrada de forma clara e completa, incluindo os recursos tecnológicos utilizados e as justificativas para cada conduta. Prontuários detalhados são evidências poderosas em processos judiciais. A memória falha, mas o registro permanece.

A comunicação transparente com pacientes e familiares fortalece a relação médico-paciente e reduz conflitos. Explicar os benefícios e limitações das tecnologias empregadas ajusta expectativas e constrói confiança. Consentimento informado não é formalidade burocrática, mas proteção concreta contra demandas futuras.

A proteção que acompanha a evolução da medicina

Mesmo com todos os cuidados, processos judiciais acontecem. A natureza da medicina envolve incertezas e resultados imprevisíveis. Nesse contexto, contar com um seguro de responsabilidade civil profissional deixou de ser opcional. A apólice cobre despesas com advogados especializados, custas processuais e eventuais indenizações, protegendo o patrimônio construído ao longo da carreira.

Corretoras especializadas entendem as particularidades da profissão médica e oferecem coberturas adequadas ao perfil de cada profissional. Avaliar as opções disponíveis, comparar condições e escolher uma proteção robusta faz parte da gestão responsável da carreira. A tecnologia muda, mas a necessidade de segurança permanece.

Profissionais que atuam com tecnologias avançadas devem buscar apólices que contemplem especificamente esses cenários. Cirurgias robóticas, telemedicina e diagnósticos assistidos por inteligência artificial criam exposições particulares que coberturas genéricas podem não contemplar. Discutir essas necessidades com especialistas garante proteção completa.

Conclusão: inovação exige proteção atualizada

A tecnologia transformou a medicina para melhor. Procedimentos são mais seguros, diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficazes. Mas a responsabilidade civil permanece com o profissional, e as expectativas dos pacientes crescem junto com os avanços. Processos judiciais são realidade, e suas consequências financeiras e emocionais podem comprometer toda uma carreira.

Proteger-se adequadamente não é pessimismo, mas prudência. Investir em capacitação, documentar rigorosamente e contratar seguro de responsabilidade civil são passos essenciais para médicos que trabalham em ambientes de alta tecnologia. A inovação traz oportunidades, mas exige proteção à altura.

Entre em contato com especialistas em seguros para profissionais de saúde e garanta que sua carreira esteja protegida enquanto você cuida de seus pacientes. A tecnologia avança, e sua segurança jurídica precisa acompanhar.

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